O Capital [Livro II] - Karl Marx


O Capital não é um livro difícil de ler, já falei disso quando comentei sobre o Livro I nos livros introdutórios, mas a obra é contínua e para ler o Livro II é necessário compreender o anterior. Este livro possui uma ênfase maior na circulação do capital, aprofundando temas que já foram postos no livro anterior.


O Capital [Livro III] - Karl Marx


O que disse do livro II vale para este, com a mudança do foco para a análise do lucro. A Boitempo costumava compilar o livro II e III em um único volume, agora o faz em volumes separado, honestamente eu prefiro dessa forma, menos peso e mais fácil de manusear.

Dá uma olhadinha no que eu falei

do Livro 1 na sessão de livros introdutórios >

Para entender o Capital - David Harvey


Lá nos livros introdutórios, quando falei do Livro I do Capital, já tinha colocado o primeiro volume deste livro e reitero o que foi dito, se você pretende ler O Capital, recomento muito ter esse livro para consultas. O Harvey é direto e didático, e essa edição aborda os Livros II e III do Capital.

Os Limites do Capital - David Harvey


O Harvey é, sem dúvidas, um dos maiores especialistas em Marx da atualidade e, além disso, é um excelente professor e comunicador. Um dos maiores obstáculos para a compreensão do Capital é o fato de ser um livro do século XIX, Marx analisa coisas que não existem mais e deixa de falar de outras pois simplesmente não existiam na época.


Pois então que tal uma versão do Capital atualizada para o período pós anos 70, com linguagem e exemplos mais atuais?

"Os Limites do Capital" é exatamente essa releitura. Esse livro pode ser lido sem passar pelo Capital, mas é preciso certo conhecimento da teoria marxista para acompanhar, mas nada muito rebuscado, é um livro fácil de ler.

Economia e Sociedade [Volume 1] - Max Weber


Agora o bicho começou a pegar. Esse livro é difícil. Economia e Sociedade é para o Weber o que o Capital é para o Marx.

Essa é a principal obra de Weber, onde ele coloca a maioria dos conceitos e definições que usa. O Durkheim disse, nas "Regras do Método Sociológico" que era necessário para a sociologia iniciar definindo as conceitos mais básicos antes de se aprofundar, o Weber levou essa afirmação muito a sério -e a cabo- neste livro.

Como o Weber está começando a definir os conceitos básicos, este livro não exige conhecimento prévio, mas é muito difícil de ler, são centenas de páginas de conceito após conceito, esmiuçados, exemplificados, categorizados em conceitos menores que serão igualmente esmiuçados e exemplificados.

Eu leio um pouco deste livro por dia, pois meu cérebro frita se ficar nele por muito tempo, mas vale muito a pena! Quando falamos de fundamentos, aquilo que dá base para a continuidade, este livro é uma das maiores contribuições que alguém já fez para as CIências Sociais, tanto em formato como em conceitos, mas é cansativo de ler.


Porém temos um problema, este livro teve poucas impressões no Brasil, é muito difícil encontrar uma versão para vender, mesmo usada. Eu fiquei um bom tempo esperando a Amazon me avisar da disponibilidade para conseguir comprar o meu.

Para quem possui interesse em aprofundar-se em Ciências Sociais, este livro é um marco e uma fonte de consulta incrível, porém é necessário paciência para haver disponibilidade de uma edição.


Economia e Sociedade [Volume 2] - Max Weber


E como se já não bastasse tudo que falei do Volume 1, ainda existe o fato da obra ser dividida em dois volumes. Tudo que disse sobre a anterior se aplica a esta, inclusive o problema da disponibilidade.

Mas preciso deixar algo muito claro: o livro é incrível, vale o trabalho.


O 18 de brumário de Luís Bonaparte - Karl Marx


“Hegel observa em uma de suas obras que todos os fatos e personagens de grande importância na história do mundo ocorrem, por assim dizer, duas vezes. E esqueceu-se de acrescentar: a primeira vez como tragédia, a segunda como farsa”.

Essa é uma das frases mais famosas do Marx e está na introdução do "18 de brumário", esta é uma das obras que vão dar ao Marx certa notoriedade e preparar terreno para o lançamento do Capital. Neste livro o Marx analisa os processos que levarão a ascensão de Luís Bonapate (sobrinho de Napoleão Bonaparte) ao poder na França.

O relato é riquíssimo, e isso é um problema, Marx fala de pessoas, acontecimentos e outros termos que são corriqueiros na Europa do século XIX, e é por esse motivo que coloquei esse livro na sessão de livros avançados. Por sorte, a edição acompanha notas explicando so acontecimento e os nomes citados, mas ainda assim, esse formato no qual Marx escreve o livro acaba tornando a obra mais difícil de acompanhar. Fora isso, é um excelente exemplo do uso da teoria marxista para uma visão crítica da política e da economia, e feita pelo próprio Marx, leitura essencial, sério.

A Ideologia Alemã - Karl Marx, Friederich Engels


Obra que propõe o materialismo histórico dialético. Ok, houveram menções anteriores, mas é a primeira vez que o materialismo é esmiuçado -e aplicado- pelo Marx e pelo Engels.

O materialismo é proposto em oposição ao idealismo, representado especialmente pela figura de Hegel, e o livro se dedica a analisar essa filosofia hegeliana, muito em voga na época, demonstrar seus erros e propor uma alternativa.

Muitas pessoas defendem que este livro deveria ser lido antes do Capital, pois a compreensão do materialismo é essencial. Eu discordo, para ler "A Ideologia Alemã" é preciso compreender a ideologia alemã, ou seja, o idealismo, mesmo que superficialmente, enquanto o Capital é uma obra fechada em si.

Para nossa sorte, contudo, passado a dificuldade de uma compreensão superficial do idealismo, o livro é tranquilo de ler e coloca os fundamentos do materialismo, uma das principais abordagens metodológicas até hoje nas ciências humanas e sociais.


Pierre Bourdieu


Estou prestes a te sugerir uma cacetada de livros desse senhor aqui e acho que preciso explicar um pouco sobre ele antes.

O Bourdieu é um sociólogo contemporâneo, e talvez o cientista social mais importante da nossa geração. Faleceu em 2002, mas deixou um legado riquíssimo e uma teoria absolutamente inovadora.

Eu gosto de dizer que o Bourdieu pegou aspectos essenciais de cada um dos clássicos (Marx Durkheim e Weber) e montou um abordagem que pega o que tem de melhor dos três. No mestrado -que estou estudando para fazer- eu quero seguir uma linha teórica bourdiesiana, o que, basicamente, significa dizer que eu sou tiete acadêmia desse cara. Sério galera, meu crush.

Mas o Bourdieu tem um problema muito sério, ele escreve difícil de propósito. Uma das coisas que ele estuda é como seus comportamentos influenciam em como você é percebido, e ele conclui que uma linguagem rebuscada e complicada auxilia na percepção do trabalho dele como sério e no fortalecimento da importância da sociologia.


Eu discordo veemente dele quanto a linguagem, tanto que estou me dedicando a estudar comunicação de ciência, literalmente o contrário disso. Essa visão é tão contrária ao que defendo que meu primeiro impulso seria procurar outra autor. Mas o cara é bom, muito bom. Porém escreve difícil e exige do leitor conhecimento prévio, pois ele não para pra explicar, por isso é necessário compreender os clássicos antes de ler o Bourdieu.

Pierre Bourdieu Conceitos Fundamentais - Michael Grenfell

Lembra do que falei do quanto eu discordo do Bourdieu por ele escrever difícil de propósito? Pois então, pra nossa sorte eu não sou o único! Existe uma série de livros que se propõe em "traduzir" o Bourdieu, deixando suas obras mais acessíveis e este aqui é um dos meus favoritos.

O "Pierre Bourdieu, Conceitos Fundamentais" é um livro de bolso que divide os capítulos por temáticas e conceitos do Bourdieu. Quando decidi me dedicar a teoria bourdiesiana, este foi o primeiro livro que li para melhorar minha compreensão dos textos do Bourdieu. Este livro dá uma visão geral e introdutória que é o suficiente para começar a ler o autor na íntegra, não sem esbarrar com problemas ou ter que voltar para outras consultas, ainda assim me ajudou muito a conseguir me virar melhor.

Ajudou muito, porém não dispensa a necessidade de uma compreensão bacana dos clássicos para ler o Bourdieu, eu recomendaria que quem esteja querendo estudar sociologia contemporânea deva ler este livro antes de entrar no Bourdieu, de novo, ajuda muito.


Vocabulário Bourdieu - A. Catani, M. Nogueira, A. Hey, C. Medeiros

Dicionário de Bourdieu, é isso. Sério.

Isso aqui serve para dar uma dimensão do tamanho desse cara. O cara é tão bom, e tão complicado, que um grupo de professores se organizou para lançar um livro compilando seus principais termos e organizar em ordem alfabética. O Bourdieu não explica muito do que fala, ele pressupõe -e exige- que o leitor saiba sociologia, ele não quer que sua obra seja para iniciantes. Se o livro anterior é uma sugestão minha de introdução ao Bourdieu, para mim, este aqui é um apêndice obrigatório, para ter contigo sempre que for ler um livro do Bourdieu, você vai precisar consultar o Vocabulário.

Além disse, a professora Hey me deu aula na graduação na CIências Sociais, foi orientanda do próprio Bourdieu na França, e foi ela que me apresentou o Bourdieu de forma mais profunda, se hoje recomendo tanto esse cara, é muito por culpa dela.

A Distinção - Pierre Bourdieu


A principal obra de Bourdieu. Este livro irá transformar a sua forma de ver o mundo, você vai terminar essa obra como outra pessoa. Se você ler Marx, Durkheim e Weber apenas para conseguir compreender esta obra já valeria a pena.

Aqui o Bourdieu faz uma análise e uma descrição quase violenta de como ocorre a diferenciação (distinção) entre as pessoas, é chocante e incômodo, uma vez que se entenda o processo, suas manifestações na realidade passam a gritar contigo, inclusive aquilo que você mesmo faz.

Honestamente, meu sonho com meu canal no YouTube é fazer uma série desse livro. Conseguir dar uma base acessível para mais pessoas compreenderem essa obra.

O fato de o Bourdieu ter feito essa obra em uma linguagem de difícil acesso é quase uma maldade contra a própria sociologia, mas ele merece toda passa de pano do mundo por ter... feito essa obra.

A Miséria do Mundo - Pierre Bourdieu

Esse livro é um projeto de vários autores, coordenados pelo Bourdieu, que buscaram construir textos sobre miséria e desigualdade social. Existem aqui alguns textos do Bourdieu, mas este livro é um alívio aos leitores, o Bourdieu complexo dá uma aliviada e temos textos mais tranquilos, apesar de ainda não serem simples.

O contexto deste livro é importante, quando é escrito, Bourdieu tinha ganho notoriedade na mídia francesa e passou a se preocupar em um livro mais simples para aqueles que se interessassem pelo seu trabalho.

É interessante notar como foram feitas as escolhas e as "simplificações" dos textos. Apesar do formato, o plano de fundo é uma crítica social muito viva, permeada pela teoria bourdiesiana, mas sem explicar a fundo os conceitos.

É possível fazer duas leituras deste livro, uma despreocupada, que trará insights interessantes e clarear certas visões de Bourdieu, e outra após ler A Distinção, que torna flagrante a presença dos termos colocados de forma sútil pelo autor para não assustar o público.

O Senso Prático - Pierre Bourdieu

Esse aqui é o livro de metodologia do Bourdieu. Treta. Muito mais técnico que "A Distinção", pois trata da prática científica, esse é meu livro de cabeceira para construir meu projeto de mestrado.

É possível colocar que "A Distinção" é o resultado do Bourdieu aplicando aquilo que coloca no "Seno Prático". É um livro rico em críticas aos métodos de pesquisa vigentes e com propostas para sua melhoria, sensacional.

Para aqueles que desejam compreender como se faz pesquisa em ciências sociais hoje em dia, este livro é essencial.

Acho que a melhor forma de colocar seria que, dentro os livros do Bourdieu, este é o livro mais importante para compreender sua obra, pois aqui ele explica como fez todas as outras.

A Reprodução - Pierre Bourdieu

Esse livro mudou completamente minha forma de entender a educação e as escolas. O Bourdieu aplica sua teoria para analisar o sistema educacional e suas conclusões são angustiantes, ao menos para mim.

Ele revela a escola como uma instituição que reproduz a cultura dominante, fazendo manutenção da distinção da elite, impondo-se de forma violenta para a população e como uma ferramenta de perpetuação do status quo. E assim, ele não tá falando de escolas "tradicionais" ou "ruins", ele inclui sistemas inovadores e considerados excelentes para a formação do aluno. É angustiante pois eu sinto, como professor, não ter para onde correr.

Este livro deveria ser obrigatório para qualquer profissional de educação


A Dominação Masculina - Pierre Bourdieu


Aqui o Bourdieu pega tudo que apresentou na "Distinção", na "Reprodução", aplica o "Senso Prático" e analisa as divisões sexuais presentes na sociedades e busca compreender suas origens e o que as mantêm vigentes.

O livro é super atual e coloca perspectivas incomuns que são capazes de elucidar muitas das questões da discussão contemporânea sobre o tema.

Obviamente não é uma obra da literatura feminista, mas não pretende ser, é uma análise de sistemas de dominação, seus efeitos, origens e defesas.


Sobre a Televisão - Pierre Bourdieu

Este não é um dos livros mais relevantes do Bourdieu, mas eu tenho um interesse pessoal nele pois fala de comunicação. O livro é composto por três textos, dois deles são reproduções de um curso que ele deu (literalmente o que ele disse no curso), e aborda as disputas por trás daquilo que é exibido e deixa de ser exibido na TV. É um ensaio sobre a força eo o uso político da comunicação.


Sobre o Estado - Pierre Bourdieu

Esse livro é um compilado de cursos que Bourdieu deu sobre o Estado. Talvez houvesse um interesse do autor em compilar um livro apenas sobre o tema, mas infelizmente ele faleceu antes que pudéssemos saber.

É interessante ver como o autor aborda os temas em aula e como sua abordagem muda -e o que se mantém- com o passar dos anos. Os cursos são fenomenais, mas falta certo refinamento que poderiam ocorrem em um livro pensado para abordar o tema. Ainda assim, são reflexões essenciais e mais acessíveis que o normal do Bourdieu, em sala ele tinha mais preocupação de ser compreendido, sem contar que ele responde perguntas dos alunos

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